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Raquel Soares é pioneira como baterista punkno Rio Grande do Norte |
A baterista e guitarrista punk e de hardcore cerrocoraense Raquel é personagem do documentário "Interior punk, interior místico" produzido em 2025, no qual conta o seu envolvimento com a música no universo destacado mais pela masculinidade. "Quel Soares", seu nome artístico, conta como recebeu influência do pai, o servidor aposentado dos Correios e sindicalista Moacir Soares: "O rock me deu essa visão de entender quem eu sou. Você pode estar aqui também, você pode quebrar esses padrões. O Rock me deu essa visão, assim, a questão do feminismo, de entender meu lugar na sociedade como uma mulher, de saber onde eu posso estar, onde eu posso andar. Como eu posso me vestir, não que eu esteja vestida assim, que eu queira ser outra coisa, eu sou mulher como eu sou".
"Quel" também diz no documentário que "o feminismo também me deu um direcionamento de quem sou, para onde seguir, qual caminho que eu vou, o que eu devo fazer, ainda mais por ser uma mulher de Seridó. Eu digo assim, se eu fosse um cara, eu já não estarei mais nem aqui, estaria fora e seria, tipo, aclamada. Mas como a gente é um corpo feminino, no meio artístico, principalmente, a gente ainda caminha para poder ser reconhecida, ou ser lembrada, ser vista".
A baterista admite ser a única mulher na percussão no Rio Grande do Norte, principalmente, porque tem poucas mulheres bateristas, no seu gênero hardcore. "Eu estou aqui, na resistência, sou uma resistência no meu instrumento, com o que eu toco", disse ela, que se coloca à disposição para ajudar e apoiar outras mulheres a não passarem pelas mesmas dificuldades que enfrenta na carreira, como o episódio do corte de som que sua banda sofreu durante uma apresentação em Currais Novos, onde criou gosto pela música, ainda na infância, vendo ensaios de bandas no galpão construído pelo pai.
"Eu espero, no que puder, contribuir pra que outras mulheres possam tocar, se desenvolver, que goste do rock'n'roll, que eu seja essa referência também, porque eu não tive nenhuma mulher que me encorajasse, minha esperança é contribuir para que outras mulheres se sintam encorajadas a tocar, a se desenvolver, a se apaixonar pelo rock'n'roll. Desejo ser essa referência, pois não tive uma mulher que me inspirasse", afirmou.
O documentário e entrevista da diretora e roteirista Caroll Medeiros pode ser visto no seguinte link, no programa "Olhar Independente", da TV Universitária de Natal.
https://youtu.be/V7m_bjFywE8