sábado, 21 de abril de 2012

Zé Pindura, na visão do curraisnovense Volney Liberato


MEMÓRIA

O VELHO "BUSÃO" DE ZÉ PINDURA

Hoje os adolescentes chamam de "busão" (de bus, em inglês) qualquer ônibus ou carro de transporte coletivo. No meu tempo chamava-se "sopa", e se fosse já velho, era "fubica", na melhor das hipóteses.

Conheçí Zé Pindura (José Batista) ainda nos tempos em que ele tinha uma "sopa" e fazia viagens para Cêrro Corá, semanalmente. Nos mesmos tempos em que tambérm Inácio Colar (Inácio Escolástico) tinha um "misto" e fazia a mesma viagem.

Zé Pindura era o que poderia convencionar de pessoa de bem, com sua eterna calma e paciência. Possuía um velho ônibus, no início dos anos 80, realizando as mesmas viagens para Cêrro Corá, em dias de feira, e de segundas as sextas feiras, a noite, transportando os alunos da UFRN campus de Currais Novos, dos quais se inseria o autor dessas linhas.

Ali a bagunça era grande, e só mesmo a paciência de um Zé Pindura para suportar todo aquele alvoroço... Tempos das campanhas do movimento estudantil pela presidência do Diretório Acadêmico, com os discursos inflamados de Manoel Lopes, quando Gilvan Guerra fazia de conta que os gravava e Manoel acreditava. Tempos do "Jornal Opinião" e da Associação Curraisnovense dos Estudantes Universitários - ACEU.

Um fato interessante ocorrido quando Zé Pindura transportava em sua "saopa" os alunos do campus, foi que ele iniciou o negócio cobrando as passagens dos próprios alunos, porém tempos depois, a prefeitura tomou para si a responsabilidade pelo pagamento das passagens. Até aí, tudo bem. Só que depois de um ano, um ano e  meio, a prefeitura retrocedeu de sua decisão, deixando de pagar as passagens dos alunos, alegando diversos motivos. Aí Zé Pindura, dentro de sua verve sui generis, resolveu continuar assim mesmo com o transporte, dizendo: "Se a prefeitura, que é rica, não pode me pagar, Pindura pode pagar a ele mesmo!". E assim foi feito, tanto que, ao terminar o ano letivo, a turma em que o Prof. Joabel Rodrigues de Souza concluia, o homenageou, como paraninfo ou patrono, não recordo bem, mas que ele, pelo gesto e por muitos outros, foi reconhecido pelas suas ações no âmbito da estudantada do campus de Currais Novos.

Zé Pindura merece homenagens pelo seu profissionalismo e pela dedicação e pontualidade que mantinha, quando fazia o transporte dos estudantes.

Jandi, seu filho, repete hoje a mesna saga, caminhando pela mesma senda, transportando alunos do IFRN e UFRN, com a mesma disposição e verve herdadas do velho José Batista, e se não me engano, seu outro filho, Jair faz também viagens utilizando o mesmo e velho "busão" em que era feito o translado de alunos do campus.

Bons tempos, apesar de tudo.

2 comentários:

Anônimo disse...

As viagens de Zé Pindura começam nos anos 60/70, quando a feira de Cerro-Corá, aos domingos, se estendia, pelo menos, até ao final da tarde.

Elias Dantas disse...

Aquele ônibus de Pindura é histórico